Faça a diferença, fio!

"Disse as Pequenas Coisas. As Grandes Coisas não são ditas."

Um dilúvio em São Paulo. E minha alma ainda suja.

De quantos ossos estraçalhados se faz uma noite de desespero? Aftas e pesadelos do passado recente?

Ainda não mandei certas pessoas para puta que pariu. É onde elas deviam estar e não eu com tamanhos roxos.

Espancada por dentro. Atropelada por fora.

zunido por Ladybug Next Garden às 21h16  ||    ||  envie esta mensagem



La fin du 18.11.2006 - Deux ans et quatre jours d'illusion

As Veias Abertas da Oportunidade Perdida

Chove na América Latina
Colorido vivo que cai na terra
O imaginário da potencialidade assistida
O sublime, a merda.

Agora eu sei a verdade
Conheço O defeito
Não preciso mais dessa bosta.

 

 

Ps: Queridos não-assíduos do blog, este é seu fim. A revolução, no entanto, não foi televisionada. Dada a transcendência, este ficará impossibilitado de receber qualquer contribuição de um ser humano, humano.

zunido por Ladybug Next Garden às 22h29  ||    ||  envie esta mensagem



Ilhós é uma palavra bonita...

Obrigaram-me a ficar com o corpo inerte, entre quatro paredes cujas distâncias não foram bem delineadas. Puseram-me uma venda nos olhos quando eu achei que estava participando de uma atividade de inclusão. Há meses que fico à deriva, tateando rachaduras, inspirando odores, esperando...

Proibiram-me de qualquer manifestação. Seriam por demais inoportunas para o momento e, especialmente, para os vizinhos. Contudo, creio que nós seres humanos não fomos construídos histórico e muito menos biologicamente... Para a reclusão, gritos, esmurros e entre outros atos de desespero faziam meus dias naquela sala. Cada vez mais opaca... Escuridão.

Moldada dentro de parâmetros altíssimos de segurança que evitam qualquer atropelo estava a construção. Descobri os atos em vão. Isolamento acústico, bairro desabitado... Ecos. Palavras que reverberam. Como seu diálogo com o mundo lá fora fosse somente monólogos de atriz de quinta. Tadinha, confusão.

zunido por Ladybug Next Garden às 00h30  ||    ||  envie esta mensagem



Melancolia dos Subúrbios Mentais

Admitido que os sons não são cacofônicos, travam-se em uma luta por perversos prazeres as sutilezas parodoxais. Declaram-se como objetos de vício de natureza contemplativa, essencialmente subjetiva. Veja bem, individual! Não assumem sua essência e sobre sua pele resplandece soberano o véu da aparência. Soterram-se no subsolo das sensações que tem como algoz a cognição inviabilizadora.

Logo, meus caros, a tolerância sobre imperfeições é uma faculdade moral que lhes corrói o viço da percepção. E a melancolia torna-se algo onipresente na medida que se vive pelas beiras...

zunido por Ladybug Next Garden às 00h24  ||    ||  envie esta mensagem



Ce type là

Apporte-moi mes cachets
Serre bien ma camisole
Accèle encore le son de ta voix
Ma techno-délire psychédélique
Apocalyptico-dramatique

Sirènes obsédantes
Métal hurlant, plastique qui résonne
Aux arcades d'acier de l'oreille
Entartrée par ton ouïe déficiente

(...)

Apocalypticodramatic - Tryo

zunido por Ladybug Next Garden às 20h49  ||    ||  envie esta mensagem



Inclinou-se

... em direção àquela mesa de mogno que nos separava. Era um movimento já conhecido por mim. Acendi o cigarro que pendia em seus lábios juvenis e recebi em troca uma baforada feita com gosto, quente e úmida. Ela me olha com os cantos das pálpebras e silenciosamente furta minha carteira do bolso prevenindo-se que sua mão toque de leve áreas não pudicas. Posso? Ela me pergunta como se fosse possível recusar... Aceno positivamente com desfacelamento da cabeça. Daquele pedaço burguês da minha pessoa, ela retira meus documentos, cartões, papéis amassados e deslumbra-se com a carteira de identidade. Fica longos minutos a observar aquela terrível foto dos meus 18 anos. Uma 3x4 que foi tirada um pouco antes de eu perder minha inocência com as meninas da praça que meu pai me apresentou. Você é muito imaturo... Diz-me aquela moça que conheci nas aulas dadas na faculdade. Ela na carteira... Eu, no tablado... E, por fim, esse julgamento fulminante com os olhos no chão. Muito imaturo para a idade que esse RG se pretende... Passo a mãos nos seus cabelos e vejo apenas uma menininha atraente que quer se arriscar em uma rebeldia visando carinhos. Porém, ela se recusa por inteiro. Todos meus mimos. Desvia o olhar, as mãos... E todo seu corpo parece se pôr perante um abismo. O abismo daquela mesa de mogno e das partículas de nicotina. A facilidade de conquistar uma garota de um pouco mais de 20 anos é tão grande quanto fazer crescer esses cabelos levemente grisalhos nas têmporas...  É preciso rir destas idéias para que não fique nervoso com ela. Já estávamos passando por dificuldades com toda essa insegurança. Não poderia desmenti-la. Ou, muito pior, concordar. Você gosta de mim porque sou como um animal facilmente domesticável, não critico, não questiono e ainda tenho instintos que te agradam. Um sinal tão óbvio de imaturidade... E eu... Também sou medíocre. Por crer que alguém com a suposta “mais experiência” me traria estabilidade emocional. Não nego... Mas como você me explora. Como... Por favor, fique quieta. Eu quis evitar e não pude não me levantar para mandá-la calar a boca com todas aquelas verdades. Detenho um status a zelar.

zunido por Ladybug Next Garden às 12h53  ||    ||  envie esta mensagem



Superego

To Dresden Dolls *


Oh Mrs. O,
Can you teach us to keep away from being sold?
Do you know the rules, the empires and the narrow mold?
Turning bold while I’m trying shamelessly to maintain
An animal who feels deep pain
Always euphoric with a little rain.

 

* Ouvir música Mrs. O da banda

zunido por Ladybug Next Garden às 20h09  ||    ||  envie esta mensagem



Borborygmes - Thomas Fersen

Roselyne et moi, nous regardons le plafond.
Mon estomac produit des borborygmes.
Mon oesophage fait des bruits de siphon.
Je n'y peux rien, le ventre est une énigme.
Quoi qu'il en soit, j'aimerais filer d'ici
D'autant que son genou appuie sur ma vessie.
Je n'aurais pas la jambe ankylosée
Si nous avions des lits superposés.

Autant aller fumer dans les waters.
Je sais ce que c'est que de dormir par terre.
J'en ai passé des heures au bord du lit
Quand ma moitié ronflait comme un grizzly.

Tissu au mur et mobilier ancien
Il est affreux ce masque vénitien
J'ai vu les mêmes hier à Monoprix
Sont les pensées qui meublent mon esprit.
Quoi qu'il en soit, ça manque d'aération
D'autant que son haleine vient dans ma direction.
Elle n'aurait pas la bouche qui fermente
Si elle suçait des bonbons à la menthe.

Autant aller fumer dans les waters.
Je sais ce que c'est que de dormir par terre.
J'en ai passé des heures sur le balcon
À la fenêtre ou au bout du wagon.

Quoi qu'il en soit, elle voudrait vivre seule.
Tant pis pour elle car même si on s'engueule
C'est suffisant, un lit de camp pour deux.
On ne fait qu'un quand on est amoureux.

Autant aller fumer dans les waters.
Je sais ce que c'est que de dormir par terre.
J'en ai passé des heures sur le balcon
À la fenêtre ou au bout du wagon.

zunido por Ladybug Next Garden às 16h47  ||    ||  envie esta mensagem



Uncaring hands

Hard it has been to maintain a happy face when insensible liars can only see an ideal intellect… So wisely selected… And flooded with irony. They don’t talk. They won’t pronounce a word. They will solemnly keep themselves away for any prospect of positive change. Oh, killers of chance! Infanticides! That cold dark hole is safer when you suffer from allergy to the summer climate. Loners, choose life for humanity’s sake! If you carry any respect for that miserable youth!

zunido por Ladybug Next Garden às 11h40  ||    ||  envie esta mensagem



Miragem em 100 metros quadrados

Somente uma noite de sábado cujo brilho são os casais que saem à procura de uma permanência densa... O contato íntimo, mas não menos banal.

O menino alto, pálido, um tanto desengonçado e de gostos pretensiosos escolhe seu programa solitário predileto: o cinema. Era imprescindível entrar cedo na sala de exibição a fim de pegar aquele lugar que reluz. Veja! Sim! A poltrona no meio, do meio no meio. Um privilégio material que ainda decidia manter apesar das tentativas de se livrar desse substrato do conflito humano.  Acomoda-se com alívio, largando o corpo sem nenhum critério, pois, lá fora, tinha isolado a vida.

As pessoas, de mãos dadas, sobem os degraus, estendem os pescoços e procuram desesperadamente lugares que nunca irão separá-los. Querida, querida, nunca te abandonarei... Há. Com certo sorriso lateral, de escárnio, o menino reflete sobre essa dependência que a humanidade detém consigo mesma... Ainda que todos que querem tomar seus lugares se esforcem em nunca olhar dentro dos olhos dos outros. De fato, procuram o horizonte dentro de quatro paredes escuras.

Enfim, somente alguns segundos separam o menino da solidão à contemplação. A sala já está lotada e os sussurros ensurdecedores. Porém, a poltrona à sua direita ainda se encontra desabitada. Ninguém se ousava sentar ao seu lado... Isso acendia seus pequenos vulcões adormecidos. Contudo, quem faria com que nosso personagem admitisse tal fraqueza? Era, ou ao menos se considerava, superior a essas amarguras mortais.

Não mais. Observava seu corpo e sua mente em combustão ao sentir o vazio da poltrona ao lado. Naquele instante, como uma bala no cérebro, sabia. Era uma necessidade... Que urgia! A necessidade do contato transgressor. Um esbarrão seria perdoável em uma situação de aperto como aquela. É só fingir! Não faz mal a ninguém... Desejava o calor que vinha de alguns centímetros de distância. Maldita condição humana! Somente toque entre braços, dedos postos arbitrariamente sobre a mão, a ponta do nariz que encontra a nuca, as pálpebras que roçam em fios de cabelo... Engolir sem a mínima intenção o ar tão suavemente expelido. E, por fim, o peso do corpo do outro no seu ombro e a certeza de que o filme será mais valioso.

Não havia porque colocar suas energias mentais sobre isso. Virava o rosto e somente o que podia enxergar era uma poltrona vazia. E toda sua significância... Passou a mão pelo tecido encarnado e grosso e não pode completar toda sua extensão, pois as luzes se extinguiram. Ajeita-se e obriga-se a se concentrar no que a grande tela impele a ver. Suspira. E do suspiro, o sorriso. E do sorriso a origem de toda harmonia de sua alma. Compartilharia suas aspirações e tristezas com aqueles monstruosos seres cujos abraços somente poderiam se conjurar em luzes frias.

zunido por Ladybug Next Garden às 14h54  ||    ||  envie esta mensagem